HISTÓRICO
DO PROJETO OLHO VIVO

“Quem quer a prova cabal de que é possível
a cidade receber de volta os benefícios que concede ao artista
precisa assistir ao documentário ‘Papel de Catadores’.
(...) Assistindo a ‘Papel de Catadores’, percebe-se
que a missão do projeto foi cumprida. É impossível
manter o mesmo olhar sobre os catadores depois dos 55 minutos do
vídeo feito por aprendizes de Luciano e Marcelo.”
Trecho da matéria “Antídoto contra o
Preconceito”, assinada pela jornalista Joanita Ramos, publicada
na capa do Caderno G do jornal Gazeta do Povo (20/11/2003)
“O
Projeto Olho Vivo já é um espaço único
e significativo. Ele tem tudo para ser lembrado daqui a 50 anos
como uma grande fonte de dados antropológicos sobre Curitiba
e o Paraná.”
Fernando Severo, cineasta
“Eu
achava que cinema era coisa de rico. Ouvia falar do cineasta fulano
de tal e achava que eu nunca ia fazer um filme. Agora que tenho
noção do que é cinema e vídeo, fico
alertando o pessoal para que assistam aos filmes que acho que tem
a ver com a nossa comunidade.”
Edison Lino, aluno do Projeto Olho Vivo
O Projeto
Olho Vivo nasceu como um espaço de fomento da produção
audiovisual de Curitiba. Os coordenadores Luciano Coelho e Marcelo
Munhoz realizaram, entre maio e novembro de 2003, três ciclos
de oficinas bimestrais totalmente gratuitas e abertas a interessados
de quaisquer áreas.
As oficinas
oferecidas pelo Olho Vivo eram as seguintes:
- “Arte,
Sociedade e Audiovisual”, coordenada por Marcelo
Munhoz, oferecia um panorama da História da Arte, com a
produção de peças de vídeo-arte;
- “Realização
de Vídeo”, coordenada por Luciano Coelho,
trazia noções básicas das etapas de realização
audiovisual (linguagem cinematográfica, roteiro, direção,
fotografia e edição), com a produção
de um vídeo de ficção e um documentário.
O projeto contou
com alguns parceiros, que ajudaram na divulgação das
oficinas:
- Marcilene
‘Lena’ Garcia (socióloga, com atuação
no Grupo de Estudos da Violência da UFPR e presidenta do
Instituto de Pesquisa da Afrodescendência – IPAD);
- Jucimar
Estevam Rosa “Cipó” (um dos líderes
do movimento hip-hop em Curitiba e representante da Organização
Uniação Atitude Reação);
- Melayne
Macedo Silva (representante da Setorial da Juventude do Centro
de Movimentos Populares – PR).
Ao final de
cada ciclo bimestral de oficinas era realizada a Mostra
dos Vídeos do Projeto Olho Vivo, na Cinemateca de
Curitiba. Nestes eventos, que aconteceram com ótima repercussão
nos meses de julho, setembro e novembro de 2003, o projeto mostrou
à comunidade os vídeos produzidos nas oficinas: vídeos-arte,
ficção e documentário, com destaque para este
último.
Os temas dos
documentários foram definidos pelos participantes da oficina
de Realização de Vídeo. Em seguida, havia discussões
e uma breve pesquisa, buscando pessoas que serviam de ponte entre
o grupo de trabalho e o universo a ser retratado.
Daí nasceram
três documentários que obtiveram reconhecimento e divulgação
crescente da mídia local, tanto pelo ineditismo e pertinência
dos temas quanto pela qualidade e sensibilidade como estes temas
foram tratados. São eles:
-
“Cidade em Branco”
(16’) - acompanhou o trabalho de alguns grafiteiros de Curitiba,
questionando suas motivações, sua inspiração
e o rótulo de “pichadores”;
- “Vila
das Torres” (35’) – retrato de alguns
personagens que representam diferentes facetas da mais antiga
e mais famosa favela de Curitiba;
- “Papel
de Catadores” (55’) – o cotidiano,
as alegrias e dificuldades de alguns catadores de papel de Curitiba;
o trabalho desenvolvido pelo Fórum Lixo e Cidadania.
No final de
2003 formou-se o Núcleo de Pesquisa e Produção
Audiovisual do Projeto Olho Vivo, iniciando a pesquisa
e a realização do documentário longa-metragem
“Preto no Branco – Negros em Curitiba”,
sobre a invisibilidade do negro em Curitiba. Trata-se de uma equipe
que, além do trabalho de produção, tem contribuído
com o conhecimento pessoal dos membros, vindos de todas as áreas:
comunicação, teatro, artes plásticas, educação,
etc. O lançamento do documentário foi no dia 26 de
outubro de 2004.
Assim, ao longo
de 2004, o Núcleo de Produção realizou os seguintes
documentários:
- “Recordações
e Ações”
(20’) – a trajetória de vida de Albertina Volpato,
fundadora da primeira ONG de apoio a portadores de HIV do Paraná;
- “Preto
no Branco – Negros em Curitiba” (92’)
– histórias de pessoas que têm em comum o fato
de serem negras e morarem em Curitiba, uma cidade que, culturalmente,
renega sua negritude e seus negros, representantes de 20% da sua
população.
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